Desmatamento global está longe das metas de redução acordadas na COP26, aponta Ary Gean Dornelles Marinho

 Apesar do compromisso firmado na 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26), em 2021, o mundo está longe das metas internacionais de suspensão da perda e da degradação florestal para 2030.

De acordo com Forest Declaration Assessment (Avaliação da Declaração Florestal), um levantamento independente feito anualmente por organizações da sociedade civil, o desmatamento global diminuiu "modestos" 6,3% em 2021 em comparação com a taxa de base de 2018-20.

Com isso, a área degradada de florestas pelo mundo chegou a quase 7 milhões de hectares no ano passado, uma região equivalente ao tamanho da Irlanda.

Apesar dessa queda, impulsionada muito pelo progresso de países como a Indonésia e a Malásia, uma redução de 10% no desmatamento a cada ano é necessária para interromper completamente o desmatamento até 2030, segundo o levantamento.

"Vários fluxos de dados mostram que o mundo não está no rumo certo para cumprir os compromissos de proteção das florestas. Estamos nos movendo rapidamente para outra rodada de compromissos inexpressivos e florestas em extinção", avalia David Gibbs, pesquisador do Global Forest Watch e do World Resources Institute (WRI).

Brasil lidera ranking por área desmatada

No caso do Brasil, o levantamento destaca que políticas públicas efetivas para uma redução notável das taxas foram implementadas a partir de 2004, mas detalha que essas conquistas estão agora em risco.

Ainda de acordo com o dados coletados pelo Forest Assessment, o índice de desmatamento no país cresceu 3% quando comparado com a taxa de 2018/2020, ou seja, um crescimento de 76 mil hectares.

Como países têm tamanhos diferentes, esse indicador é importante para avaliar a degradação pelo mundo.

Quando comparada toda a área desmatada, o Brasil perdeu mais de 2,33 milhões de hectares em 2021, liderando o ranking mundial.

O estudo, porém, só levou em conta 140 países (veja gráfico abaixo). Países como Estados Unidos, Canadá, Rússia e China ficaram de fora.

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